ATÉ QUANDO VAMOS EMPURRAR OS PROBLEMAS COM A BARRIGA (I)?
(*)
Balian
Como
dizem os filósofos, um item precioso que não conseguimos recuperar é o tempo,
fator incontestável da realidade brasileira. Entra governo, sai governo, seja
municipal, estadual ou federal, tem sido mais fácil postergar, tomar decisões
paliativas, do que resolver as mazelas do subdesenvolvimento nacional a décadas.
Admiro
a França, um país que em pouco mais de um ano trocou seis 1º. Ministros,
fundamentalmente, devido a divergências quanto ao Orçamento e Previdência Social.
Algo inimaginável no Brasil, onde “tudo acaba em pizza”, vide última CPI, a do
INSS. Destaco duas questões, nos artigos do Blog:
A
1ª. primeira - ARMADILHA DE CRESCIMENTO BAIXO - Na reunião de novembro/25, o
COPOM manteve corretamente a taxa de Selic em 15% ao ano, e deu a entender que
por um “período prolongado”, com tudo mais ou menos constante, não mudará seu
valor, que perfaz taxa de juros real de mais de 10% ao ano.
Um
mal terrível para a economia, pois projeta crescimento pífio do PIB, de 2,16%
para 2025 e 2% para 2026, taxa de investimento em capital fixo de 18%, contra
necessidade de 25% do PIB e dívida pública de R$ 10 trilhões de reais, próxima
a 80% do produto nacional, isto é, as despesas com pagamento de juros da dívida
pública deverão superar R$ 1 trilhão de reais em 2026 e atingir 9% do PIB.
A
política fiscal do governo não transmite segurança, isso pressiona a taxa de
câmbio, dívida pública, afeta as expectativas de inflação e contribui para
diminuir a poupança agregada do país. O governo não consegue obter superávits
primários, alterou a meta, seu compromisso é frouxo com o arcabouço fiscal e o
resultado primário, está repleto de exceções, por medidas do Executivo,
Congresso e Judiciário. Falta diretriz, foco e vontade política.
Nada
menos do que 38 empresas, 8,2% do total, fecharam capital na B3 e desde 2022,
não temos lançamento de novas ações na Bolsa de Valores brasileira.
Em
2024, foram registrados 2.273 pedidos de recuperação judicial, aumento de 61,8%
em relação a 2023. A previsão para 2025 é de mais de 3.000 pedidos. No ano
passado, houve mais fechamento do que abertura de empresas.
Há
mais de 20 anos, o Brasil não consegue sair da Armadilha do Crescimento Baixo,
envolvendo baixa competitividade, taxas de juros elevadas e baixo nível de
investimento público e privado.
A
baixa competitividade é consequência da elevada carga tributária, altos custos
de produção, baixo nível educacional e alto nível de corrupção e burocracia. As
elevadas taxas de juros são pressionadas pela falta de dólares, necessidade de combate
à inflação e falta de infraestrutura.
Por
fim, como resultado das anteriores, o reduzido investimento público é motivado
pelo gigantesco tamanho do Estado, má utilização de recursos públicos e
indicadores macroeconômicos frágeis.
Do
lado privado, será possível investir? Pensa o empresário. Terei mão de obra
qualificada, disponibilidade de energia, internet, banda larga, as taxas de
inflação de juros serão reduzidas a ponto de pagar o financiamento e o país
terá estabilidade econômica, social e política?
O
cenário para 2027 fica cada vez mais claro! Caso não se reduza gastos, aumente
investimentos produtivos e se melhore a administração pública, o Brasil
enfrentará uma fuga de capital estrangeiro como nunca aconteceu antes.
MAS,
ESSAS QUESTÕES FICAM PARA DEPOIS, O PRÓXIMO GOVERNO RESOLVE, O IMPORTANTE É....
(*)
Prof. Dr. Jose Eduardo Amato Balian
Consultor empresarial
jbalian@uol. com.br

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