UMA SUGESTÃO PARA 2026: O GERENCIAMENTO DO TRIPÉ ENTRE FATURAMENTO, CAPITAL DE GIRO E PRODUTIVIDADE
Diz-se,
que a administração de empresas é a ciência do óbvio, fato que corroboro
totalmente, no entanto, a dificuldade está em superar as resistências internas e
tomar as decisões mais assertivas nas organizações.
O
ano de 2026 será atípico, com juros reais de 10%, eleições, copa do mundo e muitos
feriados caindo em dias letivos espalhados ao longo do ano.
A
vida das organizações não será fácil e propomos para minimizar as adversidades um
tripé de fundamentos que facilite a gestão baseado no equilíbrio entre a
evolução do (i) faturamento, concomitante com nível de (ii) capital
de giro e ganhos de (iii) produtividade fabril.
O
objetivo principal de todo executivo é maximizar a riqueza dos acionistas e a
boa gestão desse tripé poderá contribuir de maneira efetiva para esse fim.
Com
relação ao (i) faturamento, nem sempre seu avanço vem acompanhado
de rentabilidade adicional dos produtos e serviços. A empresa sabe vender? Isto
é, possui processo detalhado desde a captação dos clientes, descrição do
produto ou serviço, elaboração da proposta até as condições para o fechamento
do pedido?
Em
paralelo, conhece e acompanha a “jornada do cliente”, antes, durante e
pós-venda? O processo de venda e a jornada são determinantes não só para o
crescimento orgânico como para uma arrancada de faturamento através da gestão
do portifólio de produtos e serviços. Vale a pena conferir.
Aliás,
é mais comum constatar que a relação entre essas variáveis seja inversa, cresce
o faturamento de um lado e cai a rentabilidade do outro, em função de aumento
de custos operacionais fixos e variáveis para suprir o novo patamar de produção
e vendas.
O
custo fixo operacional sobe quando a estrutura for alterada com mais funcionários,
máquinas e controles, da mesma forma, o custo variável com horas extras e novas
despesas logísticas. Fique atento a estas questões.
O
segundo fundamento do tripé é o nível de (ii) capital de giro. É
importante saber a diferença entre sua necessidade e o capital próprio disponível
e gerenciá-la ao longo dos meses, Cuidado! Pois, em muitas empresas as despesas
financeiras provocadas por falta de capital e níveis elevados de endividamento
superam o lucro operacional. Não caia no “efeito tesoura”, onde cresce o
faturamento e a dívida ao mesmo tempo.
A
gestão do estoque não pode ser ignorada nesse contexto, pois tem papel
preponderante no volume do capital de giro como na rentabilidade do negócio.
Estoque
baixos levam a maior eficiência, mas essa regra varia de empresa para empresa,
uma vez que o fornecimento de matéria prima pode ser inconstante, o nível de
produtos em processo é irregular e o consumidor prefere mais oferta de produtos
no ponto de venda.
Cada
caso é diferente e precisa ser cuidadosamente analisado visando o volume
adequado do investimento em giro.
O
custo do dinheiro no Brasil é astronômico, atingindo 24,5% ao ano para empresas
segundo média divulgada pelo Banco Central em novembro/2025. Vale mais a pena
crescer lentamente, organizado e capitalizado do que conquistar mercado do dia
para noite atabalhoadamente e se endividar com alto risco de insolvência e
perda de resultado.
De
2022 para cá, muitas empresas tiveram percalços, não conseguiram pagar os
valores captados no mercado, entraram em recuperação judicial e/ou tiveram que
alterar a composição de capital, transformando dívidas em ações, com grandes prejuízos
para investidores.
O
terceiro fundamento consiste no ganho de (iii) produtividade,
onde se produz mais com menos recursos, para tanto, a revisão de processos
administrativos e produtivos é uma necessidade premente e somado aos
investimentos em tecnologia reduzem custos melhoram a margem de contribuição e
o lucro. É uma necessidade perpétua.
Acreditamos
que um conjunto de indicadores e a gestão do portifólio com base no tripé
apresentado seja imprescindível para suprir os executivos de dados e
informações para atravessar o ano repleto de desafios e incertezas seja no
mercado interno ou externo se concentrando na tomada de decisões focadas em
valorizar as ações de suas empresas.
(*)
Prof. Dr. Jose Eduardo Amato Balian
Consultor empresarial
jbalian@uol. com.br

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