ÁGUAS DE MARÇO FECHANDO O VERÃO...

 


(*) Balian

Se não bastasse as consequências do conflito EUA versus Irã com seus efeitos nos preços dos combustíveis, fertilizantes e produtos importados, os reflexos no governo brasileiro são preocupantes, pois ele parece atordoado, sem rumo, fruto da falta de um mínimo Plano de Desenvolvimento.

Nesta altura do campeonato não há perspectivas favoráveis, uma vez que as irregularidades são imensas e as políticas públicas ineficazes.

A subida dos preços dos transportes e a cópia de medidas para solucioná-la que não deram certo em momentos anteriores, trarão dificuldades ainda maiores para empresas e contribuintes ao longo desse ano.

No final da gestão Lula3, a dívida pública deverá chegar a 80% do PIB e os juros anuais pagos superarão R$1trilhão de reais. Reduzir impostos, conceder subsídios ao diesel e tentar segurar os preços nas refinarias não elimina o choque, apenas o transfere dos preços para as contas públicas.

No total, o custo deverá superar R$ 30 bilhões, que não é pouco em razão de nossa fragilidade fiscal. Para compensar, o governo criou o imposto sobre exportação de petróleo, elevando a carga tributária depois de investimentos realizados, pagamentos de outorgas, aumentando a insegurança jurídica num setor que exige investimentos ao longo de décadas. 

É muito pouco provável que o Banco Central continue o processo de redução da taxa Selic, hoje de 14,75% ao ano, a qual nos últimos quatro anos teve média de 13% e passou de 5% em 2021 para 15% em 2025.

A sociedade está cada vez mais asfixiada, ou seja, o crédito é escasso e caro, os preços dos alimentos e transporte estão nas alturas e nível de endividamento é superior a capacidade de pagamento das famílias.

Segundo dados da (CNC) Confederação Nacional do Comércio, em janeiro de 2026, 80,2% das famílias entrevistadas declararam possuir alguma dívida, das quais, 29,6% tinham pagamentos em atraso e 12,6% não tinham condições de pagar os compromissos vencidos. Esses dados representam um recorde da série histórica mensal pesquisada.

Em 2025, as recuperações judiciais (empresa e justiça) e extrajudiciais (empresa e credores) atingiram 5.680 processos, segundo dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial.

O setor com mais aumentos de insolventes foi o agronegócio, com 493 empresas, justamento o que tem contribuído positivamente com o PIB. Fatores climáticos e quebra de safras tendem a desiquilibrar contas, mas não há como desconsiderar a forte dependência da Selic no negócio agro. 

Os nove meses futuros até o fim de 2027, terão uma gestação difícil, mas como diz a música de Tom Jobim, “são as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração”.

Sempre um bebê ao nascer revigora as esperanças de uma vida melhor para todos e a expectativa é a mesma do próximo presidente em relação aos princípios de justiça, do bom exemplo e da reconstrução da trilha do desenvolvimento sustentado para o país.

    

(*) Prof. Dr. Jose Eduardo Amato Balian

 Consultor empresarial

 jbalian@uol. com.br

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