A DIFÍCIL TAREFA DO BANCO CENTRAL DE REMAR CONTRA A CORRENTEZA

 


(*) Balian

O Banco Central – Bacen - não tem tido vida fácil em sua tarefa de trazer a inflação para o centro da meta de 3% determinada pelo Conselho Monetário Nacional CMN.

Desde que assumiu, o Presidente Lula deixou em 2º. plano o equilíbrio fiscal, a redução da inflação e da dívida pública em detrimento a um virtuoso crescimento econômico que não ocorreu.

Com o fim da obrigatoriedade do Teto de Gastos e a injeção de R$ 240 bilhões de reais na economia ao longo de seus anos de mandato, o resultado tem sido decepcionante, ou seja, (i) crescimento médio anual do PIB de minúsculos 2%, (ii) inflação fora da meta, (iii) taxa de juros real acima de 8% ao ano, (iv) recorde de endividamento e inadimplência de famílias e empresas e (v) dívida pública ultrapassando a 80% do PIB.

Do lado positivo a taxa de desemprego tem batido recorde em 5,4% e mesmo assim, o índice de reprovação do governo é de 55%, refletidos na falta da segurança pública e jurídica, alta alavancagem das empresas que não conseguem manter seus compromissos em dia e das famílias endividadas, com contas em atraso e salário apertado para pagar os preços dos alimentos, moradia e transporte.

O COPOM - Comitê de Política Econômica – tem reiterado a necessidade das políticas fiscal e monetária trabalharem na mesma direção, para equilibrar a oferta e demanda por bens e serviços e conter a inflação, o que não ocorre, uma vez que a primeira é expansionista, incentivando o consumo e a segunda contracionista inibindo-o.   

O desequilíbrio fiscal leva a inflação, a altas taxa de juros e a recessão.  É preciso quebrar esse ciclo e a “bola da vez está com o governo federal”. O principal objetivo do Bacen é o combate à inflação e do presidente em conjunto com sua equipe de 39 ministros é o desenvolvimento do país. O sucesso de ambos só ocorrerá se trabalharem no mesmo caminho e não em sentidos opostos como acontece hoje.

Os programas dois principais candidatos em campanha, pouco dizem sobre a urgência de um ajuste fiscal. Falta convicção e, mesmo se houvesse, a viabilidade política não é fácil.

O desarranjo das contas públicas reflete as regras do patrimonialismo que criamos e nos leva ações protelatórias e cuidados paliativos que estamos acostumados a ver.

A tempos, o Bacen está sozinho em sua missão e não terá condições de reduzir a taxa de juros significativamente se as variáveis macroeconômicas não se modificarem. 

A sociedade brasileira está sangrando e a continuar como está, uma hora vai para a UTI e nesse caso, o tratamento é longo, doloroso com consequências sociais perversas. Tudo isso pode ser evitado, a partir do momento em que tenhamos nova postura frente aos problemas e as dificuldades atuais.   

(*) Prof. Dr. Jose Eduardo Amato Balian

 Consultor empresarial

 jbalian@uol. com.br

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